Política Brasil


Com a vitória de Thatcher na Grã-Bretanha e de Reagan nos EUA, os anos 80 iniciaram uma nova onda, o neoliberalismo. Na verdade uma versão do antigo liberalismo. O que eles apresentavam de novo tinha, pelo menos 200 anos: o Estado longe das atividades econômicas, atuando apenas como um regulador no caso de abusos.

Em Pindorama o neoliberalismo deu as caras na década de 90. Inicialmente com Collor, depois com Itamar e FHC 1 e 2. Qual a grande medida neoliberal? Ora, o Estado deve intervir o mínimo — de preferência nada — na vida econômica da sociedade, por isto os governos acima privatizaram o que foi possível.

Seria excelente para o povo, pois, além do governo levantar um dindim — que supostamente seria utilizado na área social (da mansão de alguém?!) — os serviços prestados melhorariam com a criação das Agências reguladoras dos serviços das empresas particulares.

Os resultado são estes monumentos à incompetência: a Anatel (telefonia) e a Anac (aviação civil). O resto você já sabe.

Isto tudo é para dizer que fiquei sem internet sábado e domingo por culpa da Claro. 3G? Ah, sei… Acredite em apenas metade do que vê e em nada do que ouve.

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Nesta última terça-feira, a ONU lançou um levantamento geral da situação dos direitos humanos no Brasil. Qual não foi a conclusão, senão aquela que todos sabemos? O país apresenta índices de corrupção alarmantes, violência desmedida e crescente — inclusive por parte do Estado — e racismo profundamente arraigado.

Estas mesmas críticas foram apresentadas em 2005, mas não foram respondidas pelo governo brasileiro. Em abril, o documento será debatido na plenária da ONU e o governo terá uma chance de se defender da acusação de inércia diante dos mais graves problemas brasileiros.

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_ Para saber mais sobre o relatório da ONU sobre o Brasil, clique aqui.

Que pataquada! Seu Jobim entrou no ministério da defesa prometendo mundos e fundos: a aviação ia melhorar, não haveria possibilidade de Congonhas voltar a operar com conexões e escalas de vôos e uma nova pista seria construída em Cumbica.

Seis meses depois das promessas,  o ministério da defesa permitiu que a partir de 16 de março o aeroporto de Congonhas volte a ter conexões. O ministério informa também que a terceira pista de Cumbica não será mais construida. Tudo por causa da pressão das companhias aéreas — a aviação brasileira está nas mãos da TAM e da Gol — que preferem ver jorrar os lucros da proximidade arriscada de Congonhas a ter que amargar a distância segura aeroporto de Cumbica.

Segundo seu Jobim, apesar do aeroporto de Congonhas voltar a operar com conexões sem haver nenhuma reforma ou ampliação, os problemas de outrora desaparecerão, pois será respeitado o limite de vôos da pista. Sei não, acho que as companhias de aviação conseguiram a mão e depois vão querer o braço.

Não podia dar em boa coisa. Quando seu Jobim assumiu a sua primeira preocupação foi com a distância das poltronas do avião. Isto em meio à maior crise da aviação brasileira.

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_ Para saber mais da reabertura do aeroporto de Congonhas para conexões, clique aqui.

_ Para ler a entrevista do seu Jobim em que ele diz que não deve haver escalas em Congonhas, clique aqui.

Lembra de João Hélio, aquele menino que foi barbaramente assassinado na zona norte do Rio de Janeiro e levou o país à comoção?

Pois faz exatemente um ano que o menino foi arrastado pelos assaltantes que roubaram o carro de sua mãe. Na época, a população ensaiou protestar contra a violência e os políticos e a política mostraram sua cara-de-mau — ou de pau — prendendo rapidamente os assaltantes, além de fazer aquelas já manjadas promessas de ocasião.

Não é que os criminosos continuaram a roubar livremente? A região da cidade em que João Hélio foi assassinato liderou o ranking do roubo de carros no Rio de Janeiro, concentrando um quinto de todos os crimes desta modalidade.

Ladrões 1 x 0 Todos nós: governantes, política, cidadãos, imprensa.

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_ Para saber mais sobre o aniversário de morte de João Hélio, clique aqui.

_ Para ler mais sobre o crime de 2007, clique aqui.

 

Os políticos fizeram a festa na apresentação do Brasil como sede da copa de 2014. O evento, uma mera formalidade já que a escolha do Brasil era certa, contou com a presença de nada menos do que o presidente da República, 12 governadores, 3 ministros e um senador. Era o trem da alegria.

A politicalha está assanhadinha pois vislumbra uma oportunidade única no horizonte. Veja o que aconteceu no Pan do Rio este ano — na candidatura o orçamento total do evento era de R$ 800 milhões, no final gastou-se R$3,8 bilhões. E ningúem vai preso! Na copa a farra promete ser bem maior. O amigo leitor imagine o quanto de dinheiro não vai rolar nas capitais que serão sedes do evento.

Não é a toa que os governadores marcaram ponto na festinha da Fifa, tolerando desafetos e membros de partidos rivais —PT, PSDB, PMDB, DEM, representados. Todos ali querem tomar parte na festa das verbas ilimitadas e liberadas em caráter emergencial. Não sou profeta, mas o que vai acontecer é o seguinte: as obras vão atrasar e vai ser necessária uma liberação urgente de recursos. O resto você já sabe.

O Financial Times disse que o Brasil não tem capacidade de fazer a Copa. Numa euforia nacionalista, a imprensa brasileira caiu de pau nos ingleses, afirmando que o Brasil é altamente preparado para realizar a copa. Não discordo, há dinheiro e qualificação técnica no Brasil para isto. Entretanto os ingleses não estão totalmente errados, o custo social será altíssimo.

O que os ingleses não sabem é que os brasileiros são useiros e vezeiros em manter as aparências. Em 1831, o governo regencial assinou uma lei que acabava com o tráfico negreiro. Diante do espanto geral corria à boca pequena que a lei tinha sido feita “para inglês ver”. De fato o comércio de escravos só foi abolido muito tempo depois, em 1850 (lei Eusébio de Queirós). A expressão popularizou-se.

Cabe como uma luva para a Copa de 2014.

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_Vale a pena realizar copas, olimpíadas e panamericanos? Esta mantéria tenta responder a esta pergunta. Para ler, clique aqui.

_Para a matéria do Financial Times desancando o Brasil como sede da copa, clique aqui (em inglês).

_Para a matéria sobre a cpi do desvio de verbas no Pan, clique aqui.

_Para um blog  sobre o lado “b” do Pan 2007 e da copa de 2014, clique aqui.

Mal o temporal começou aqui no Rio e um fulano apressou-se em dizer— “Olha o que aquecimento global está fazendo…”. Espere um pouco seu fulano, aquecimento global? Estas chuvas caem por aqui desde sempre. Eu mesmo já nadei — e quase me afoguei — algumas vezes nas enchentes causadas por elas aqui na minha cidade. Uma coisa é aquecimento global, outra, bem diferente, é o descaso local.

Quem mora no RJ tem sempre uma história de chuva. Moro em Niterói e tenho várias, afinal todos os anos os habitantes desta terra esperam ansiosos pela temporada de enchentes. Ansiosos para ver se você vai ficar ilhado em algum lugar, se seu carro vai ficar alagado, se a encosta vai deslizar. Estas coisas próprias da estação das chuvas. Aqui em Niterói um dos alagamentos mais famosos e antigos é o da região do Estádio Caio Martins. Todo mundo que mora por aqui já sabe — choveu, encheu.

Eu já teve o prazer de ficar parado ali algumas vezes. Já tentei passar, quando tinha uns dez anos e quase me afoguei. Meu carro já boiou na enchente. Este alagamento é tão antigo, que vou fazer uma proposta para a prefeitura decretá-lo patrimônio histórico da cidade. Poderia até fazer parte do roteiro turístico e do calendário de eventos. Imagine a propaganda. “Você poderá vislumbrar no local o espetáculo das águas e a maravilhosa luta do ser humano frente a força da mãe natureza”.

Neste momento começa um novo temporal. O que vai acontecer na cidade? Já sabemos há muitos anos. Enchentes, alagamentos, mortes. Nada disto tem haver com aquecimento global e sim com a falta de ações competentes dos governantes em resolver o problema do impacto das chuvas na cidade.

Lula venceu. Tudo bem, já era esperado. Mas venceu em segundo turno, coisa que ninguém imaginava. Lembrando do ano passado, nos tempos de mensalão, pensava-se que Lula não conseguiria a reeleição. Ao final do ano tudo mudou. A candidatura do PT voava em céu de brigadeiro. A vitória era considerada certa em primeiro turno. Os tucanos apresseram-se para escolher Alckmin como candidato do PSDB. Ia ser derrotado mesmo, melhor escolher um candidato fraco.

Geraldo Alckmin se mostrou forte em eleições. Não era tão “picolé de chuchu” como se dizia. Conseguiu crescer e ameaçar, mesmo que de longe, uma virada no segundo turno. Porém os votos para virada não apareceram. Pior, diminuíram. O PSDB perdeu 3 milhões de votos de um turno para o outro.

A diminuição de votos em Alckmin tem, em parte, relação com as privatizações do governo Fernando Henrique. O PT acusou o PSDB de venda de empresas estatais. Alckmin engoliu a isca lançada por Lula no debate da Band (afirmou veementemente que iria vender o Aerolula, por exemplo). Ficou fácil, Lula cresceu.

Além disto, é preciso dizer a verdade, Lula é um fenômeno na comunicação com a população mais humilde deste país. A comparação das cenas dos candidatos nas ruas nesta eleição não deixam dúvidas. O povo gosta de Lula, não gosta de Alckmin. Eram pessoas agarrando Lula, pulando nele. Ao candidato tucano, apenas apertos de mãos, tapinhas nas costas. Tudo muito frio. Questão de carisma.

O último e grande diferencial desta eleição são as políticas sociais do governo Lula (chamado de assistencialismo por algumas pessoas). A população interage com estes investimentos, precisa deles. Por isto vota na manutenção destas políticas.

Lula lá mais quatro anos. Provavelmente um governo com muitas diferenças em relação ao primeiro (o antigo núcleo duro foi varrido pelas denúncias de corrupção). Quanto a Alckmin, entrou para perder e deu trabalho. Sai fortalecido desta eleição,  pode tentar uma candidatura à presidência em 2010. Só não sei se Aécio e Serra irão permitir.

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