Música


A bossa já não é tão nova. Bossa-nova, a expressão dos anos 50, significava algo novo, uma nova moda. A música, fusão do samba com o jazz, recebeu este nome por se tratar de uma nova maneira de cantar samba, gênero até então marcado pela interpretação com voz empostada dos cantores da era do rádio.

Em 1958, foram lançados os dois primeiros discos que podem ser associados ao gênero: Chega de Saudade, de João Gilberto; e Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Aproveitando o período de otimismo do governo JK — ele próprio chamado “o presidente bossa-nova” — e a fase final da política de boa-vizinhança norte americana, a bossa-nova tomou o Brasil e deu a volta ao mundo. Com certeza é o gênero musical brasileiro mais conhecido no exterior.

Não posso me dizer fã da bossa-nova. Apesar de uma de minhas primeiras incursões da MPB ter se dado através de um disco do João Gilberto que meu pai tinha. Adorava Águas de Março na versão “um banquinho e um violão”.

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_ Para saber mais sobre a história da bossa-nova, clique aqui.

_ Para ver e ouvir “Chega de saudade” intepretada por João Gilberto e Tom Jobim, clique aqui.

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Mucama
(Cidade Negra)

O que se espera de uma nação
Que o herói é a televisão
Que passa todos os seus meses mal
Melhora tudo no Carnaval

Dá pra brincar, dá pra comemorar
Só não se sabe muito bem por que
Entrou de cara na realidade
Na quarta feira que eu quero ver

Na quarta feira é a volta pra realidade que arde
Acaba a comemoração apaga a televisão pra não gastar a eletricidade
Como na Cinderela carruagem volta a ser abóbora
E na favela o carro alegórico some

E volta às sobras: sobra de feira, sobra de terra, sobra de chão
Sobra de lama, sobra de bala perdida, sobra de comida
Pra mucama, mucama que nada exclama, que não reclama, que não se inflama
Só basta ter novela, põe na tela todo mundo ama

Todo mundo mas na vida real todo mundo se odeia
E ódio gera ódio, um sobe no pódio, outro serve a ceia
Ceia do natal, tem Xuxa no carnaval
Mucama deitada na cama beijinho beijinho pau pau. Tchau!

Eu só vou te usar, você não é nada pra mim
Já temos outra pra colocar no seu lugar – Pirlimpimpim!
Abracadabra, é como mágica, mas não é abra-te Sésamo
Porque aqui as portas só se fecham
Bum! É menos uma oportunidade

Não é só a quarta feira que é de cinzas, na verdade é a semana inteira
Quinta, sexta, sábado, domingo e segunda
E o povo mucama continua sorrindo levando nas coxas, levando na bunda
Mas não faz mal porque depois melhora tudo no Carnaval

 

Até quarta-feira.

Não fui ao Hollywood Rock de 1992. Perdi o showzaço feito por Paralamas e Titãs, juntos, dividindo o palco. Pior, vi tudo ao vivo pela TV. Sou dado a arrependimentos musicais e cultivei este por anos, até que, em dezembro, chegou-me a notícia da reedição da parceria para uma curta turnê pelo Brasil.

Fui ao show de ontem aqui no Rio. E que show! Duas horas e meia de sucessos cantados a plenos pulmões por todos os que enfrentaram a chuva para participar da festa. Mais as participações de Arnaldo Antunes — que foi obrigado pela platéia a cantar “O Pulso” e Samuel Rosa. Isto sem falar no show das baterias de João Barone e Charles Gavin.

Noite memorável. Se você perdeu, não precisa ficar muito triste, vai virar DVD.

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_ Para alguns vídeos do show de sábado, via You tube , clique nas músicas a seguir: O Calibre, Lugar nenhum , Aluga-se , Comida , Epitáfio .
_Para saber mais da turnê 25 anos de rock — Titãs e Paralamas, clique aqui.

 

Fico obcecado quando algo soa diferentemente bom. Foi assim quando ouvi Os Mutantes pela primeira vez, ou quando vi o clipe de Smells like a teen spirit, do Nirvana. No tempo da música como negócio, da venda de fórmulas de sucesso, aparecer algo realmente novo e bom é raro. Raríssimo.

 A obsessão da vez é a Amy Winehouse. O som da moça não é exatamente algo novo. A grande novidade está em cantar diferente, escrever diferente e soar diferente neste mar de cantoras iguais que povoam as FM’s — cantoras gospel com toques de rap ou mulheres que forçam a barra para cantar como menininhas safadas.

Amy Winehouse resolveu apoiar-se em quem entende de música. Sua voz lembra Ella Fitzgerald e o seu som vai para o lado do R&B, Blues, jazz e soul dos anos 40 e 50. Tudo isto sem perder a contemporaneidade.

O único problema é que ela vive la vida loca, bebendo e usando de tudo. E pelo que afirma em Rehab, não está muito interessada em mudar de vida. Tomara que ela sobreviva ao trinômio rockeiro — sexo, drogas e rock’n roll, pois seu som é uma flor no deserto da mediocridade reinante por aí.

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_ Para o clipe de Tears dry on their own, clique aqui.

_ Para saber mais de Amy Winehouse, clique aqui.

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Ao longo da vida, travei pouco contato com o mundo das óperas. Já ouvi algumas das árias de “O Guarani” e aquela parte da “Flauta Mágica” que o Edson Cordeiro vivia cantando. Assisti ao Pavarotti na TV algumas vezes e lembro da ária mais famosa de Carmen. Tudo isto de passagem. Provavelmente meu contato mais intenso com o mundo das óperas havia sido com “O Barbeiro de Sevilha” do Pica-pau. Até ontem.

Ontem, Chris me levou a uma sessão de ópera de uns colegas de trabalho. Fantástico! Assistimos ao “O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini.Os donos da casa foram simpáticos e mantiveram a legenda do DVD, assim foi fácil entender a confusa história de amor entre Rosina e o conde de Almaviva. Emocionante foi ver e ouvir a entrada de Fígaro. É a música que até então só ouvira no desenho do Pica-pau.

Gostei tanto que agora quero assistir ao vivo.

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_Para a história do Barbeiro de Sevilha, clique aqui.

_Para a letra da ária de entrada de Fígaro, clique aqui.

_Para o Barbeiro de Sevilha do Pica-pau no You tube, clique aqui.

 

Brian May, guitarrista do Queen, foi escolhido como reitor da Universidade John Moores, de Liverpool na Inglaterra. Ele assume no início do ano que vem.

No início deste ano, May havia completado um doutorado em astrofísica e lançado um livro sobre a história formação do universo. Além destas atividades, o guitarrista participou da uma turnê do Queen em 2005 e prepara o disco novo da banda para 2008.

Um dos melhores guitarristas de todos os tempos, líder, ao lado do o falecido Freddie Mercury,  de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, escritor, doutor em astrofísica e agora reitor.

E você ainda fica reclamando da falta de tempo, né não?

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_ Para saber mais de Brian May como reitor, clique aqui.

_Para saber sobre o disco novo do Queen, clique aqui.

Desde que fiquei sabendo da rave em  Itaboraí — aquela em que um rapaz que morreu de overdose— esta música não saiu mais da minha cabeça. Não é para menos. Muitos de meus alunos representam este mesmo papel.

Esta composição foi gravada no primeiro álbum da Legião Urbana, em 1985.

A dança

Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita
Ou então espécie rara
Que é só um objeto
Pra usar e jogar fora
Depois de ter prazer.

Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

Você com as suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão
Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra fuga
Sair de casa então
Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira

Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade.

Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

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_ Para saber mais sobre a rave em Itaboraí, clique aqui.

_ Para mais informações sobre o disco onde se encontra esta música, clique aqui.

 

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