Leituras


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A revista Superinteressante disponibilizou em seu site o acervo de textos de seus 20 anos de publicação. Ao todo são 12 mil páginas!

Vale a pena.

Notícia do blog Já viu? .

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Sempre adorei o realismo. Não sei exatamente o motivo desta minha predileção. Talvez seja por causa da valorização das pessoas como elas são, com suas limitações e incongruências, ou pela ironia com que os autores tratam as hipocrisias da sociedade da época. É exatamente esta ironia o fio condutor de “A relíquia” , obra de Eça de Queiroz — o maior dos realistas portugueses.

Um menino — Teodorico Raposo — depois de órfão, passa a viver sobe os cuidados de uma tia fanática religiosa e muito rica. Quando adulto, Teodorico cria um plano para se livrar do fervor católico da tia e viver tranqüilamente os prazeres da vida mundana, sem perder o acesso à riqueza. Ele planeja uma viagem ao oriente sob o falso pretexto de conhecer a Terra Santa. Desta viagem ele promete trazer uma relíquia sagrada como presente à sua tia, que patrocina a viagem.

Ano passado esta obra ganhou uma adaptação para os quadrinhos realizada por Marcatti. Para quem não sabe ou não lembra, Marcatti é o desenhista das capas do discos da banda Ratos do Porão e veterano da revista Chiclete com Banana. Ficou ótimo, pois a hipocrisia da sociedade da época tem tudo haver com o soturno traço do cartunista.

Eça de Queiroz está na moda mais de um século depois de sua morte. Em 2001, a Globo adaptou Os Maias para minissérie. Um ano depois, Gael Garcia Bernal encarnou “O Crime do Padre Amaro” no filme que chegou a concorrer ao Óscar de filme estrangeiro. Já em 2007, foi a vez de “O primo Basílio” ser adaptado para as telonas, se transformando em um dos filmes brasileiros mais vistos do ano.

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Em um colégio de classe alta de minha cidade, uma aluna da 6ª série acusou um funcionário de 46 anos de ter mantido relações sexuais com ela.  O funcionário foi preso por estupro.

Como a vítima tem 13 anos, há presunção de violência (art. 224 do código penal). Mesmo que as relações tenha sido consensuais,  a menor não tem idade para decidir.  Sendo assim, o funcionário é qualificado como estuprador (art. 213) e deve ficar na cadeia por um bom tempo. Há também a responsabilidade da escola, já que os dois se conheceram e o crime foi praticado dentro das dependências do colégio.

Fiquei lembrando do livro de Vladimir Nabokov, Lolita. Nele, o professor Humbert Humbert se apaixona e vive um caso de amor com Dolores Haze — a Lolita, sua enteada de doze anos. Em meados da década de 1950, a pedofilia já era um escândalo. Tanto que o autor teve muitas dificuldades para lançar o livro.

Compreendo que a nossa sociedade tem um grau alto de liberdade sexual e meninas de 13 anos hoje, não são como as meninas de outras épocas. Afinal, até criancinhas estão por aí dançando o Créu — o funk sensação deste verão. No entanto não se pode perder de vista que criança é criança e adulto é adulto.

Se a acusação vier a se comprovar verdadeira, não há desculpa para o crime.

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Quando li “O menino maluquinho” me identifiquei de cara. Ganhei o livro de meus pais no natal de 1981, tinha nove anos e a capa me chamou a atenção de cara — um menino biruta que usava panela na cabeça para dizer que era general. Eu também usava, não uma panela, mas um escorredor de macarrão de minha mãe. Os furos do tal escorredor eram em formato de estrela. Daí para virar um tipo de comenda militar na minha cabecinha fértil, um pulo.

Além da panela e das estripulias do maluquinho, que muitas vezes pareciam ser um relato das minhas próprias, me identifiquei com o livro pois ele se comunicava diretamente comigo.  Não era uma fábula, nem um conto de fadas, era a minha história que estava ali. Eu era o personagem central e adorava aquilo.

No último dia 24, Ziraldo completou 75 anos. Passou quase desapercebido. Não deveria, pois este é um brasileiro que dá orgulho aos outros brasileiros. Parabéns pelo seu aniversário Ziraldo. Parabéns e obrigado por entender, mais do qualquer outro,, o pensamento de uma criança e ter feito este leitor mais feliz.

Ah, já ia me esquecendo. Vasculhei meus guardados e descobri que ainda tenho meu exemplar do menino maluquinho. Está velhinho, mas ainda em boas condições.

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