Janeiro 2007


Estou em trânsito para a Chapada. De lá escrevo. Talvez daqui uns três dias.

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Ipameri é uma cidade de 23.000 habitantes que fica a 188km de Goiânia. Como qualquer outra cidade interiorana, a movimentação aqui gira em torno da praça central. Bancos, comércio, religião, vida noturna. Tudo fica pertinho da praça central.

Apesar da praça central ser a mais importante, existe uma  outra praça famosa por aqui. Não sei seu nome, mas seu apelido é peculiar: Praça da Maconha. Estive lá em um bar chamado Biroska, bem no meio da praça. Nada vi que justificasse o nome da praça, entretanto foi o único lugar em que escutei outro tipo de música que não a sertaneja.

E o que toca na tal praça? Reggae, claro!

Ontem, além de ouvir música da roça fui a duas fazendas. Um coqueiral e uma plantação de soja. Gostei mais do coqueiral, afinal beber água de coco colhido no pé é muito bom. Apesar do clima rural, um problema bem urbano me saltou aos olhos. O problema da água.

Um coqueiro destes daqui consome 40 litros de água por dia. Todos os dias. Sempre. A plantação tem milhares deles. Além de coco, soja, algodão, sorgo e milho são plantados por aqui. É impressionante o ritmo de consumo de água.

Deste jeito não há água que chegue.

Post rápido hoje.

O estado de Goiás é verde e o povo é show.

Ah, e só se ouve música sertaneja. 

Amanhã tem mais.

 

A partir de hoje as atualizações estarão sendo feitas de Goiás. Uma viagem não é nada mal. Afinal estas férias foram para lá de aguardadas. Em 2006, ministrei, em média, 50 aulas por semana, por cerca de 40 semanas. Isto dá um total de 2000 aulas num ano. Cansei!

Quando criança, adorava o seriado do Ultraman. Para quem não  lembra, o cidadão da foto acima não era lá um grande super-herói. O seu principal poder era ficar grandão para  lutar com todos aqueles monstros que, sabe-se lá porquê, teimavam em destuir Tóquio toda semana. Além disto ele tinha um raio mixuruca lançado ao fazer uma cruz com os braços.

Apesar de o Ultraman não ser um herói como o Super-Homem ou o Batman, ele tinha uma coisa que os outros não tinham: medidor de bateria. Quando ele começava a apanhar muito do monstro uma luzinha no centro do tórax do rapaz piscava, acenando que era hora de dar no pé. Ele ia embora e depois voltava, todo pimpão, para acabar com a farra do monstro.

Todo ano, no início de novembro, dois meses antes do final do ano letivo, a minha luzinha começa a mostrar que a bateria está fraca. Em dezembro, tudo se apaga de vez. Por isto vou para Goiás, aproveitar uns dias de vida no campo, dar um pulo na Chapada e tomar banho de cachoeira.

Depois volto para reconquistar Tóquio.

Beds are Burning  (Midnigth Oil)    

The time has come     

To say fair’s fair 

To pay the rent

To pay our share

The time has come

A fact’s a fact 

It belongs to them

Let’s give it back  

Aprendi no colégio que o vírus é um ser exclusivamente parasitário. Para sua reprodução eles controlam a célula de algum ser vivo e utilizam sua capacidade de auto-reprodução. Após seu uso pelo vírus, a célula hospedeira morre.

O Homo Sapiens habita este planeta há 250 mil anos. Neste período, passou aproximadamente 235 mil anos de maneira primitiva. Dependia da natureza para pescar, catar e coletar seus alimentos, produzir roupas e ter abrigo. O ser humano participava da cadeia alimentar. Por isto contávamos cerca de 1 milhão de indivíduos no mundo inteiro.

Chegando ao Neolítico (12 000 a. C.), nós resolvemos mudar nosso destino. Passamos a criar animais e produzir vegetais. Controlamos assim o suprimento de alimentos, deixando a instabilidade da natureza de lado. Resultado: progredimos em número e capacidade. Ficamos maiores, mais inteligentes e mais fortes. Reproduzimo-nos aos bilhões.

No século passado, utilizando nossa capacidade ilimitada, criamos a indústria de massa e a sociedade de consumo. Que beleza! Para desenvolvemo-nos basta fazer com que cada vez mais pessoas possam comprar (e consumir) produtos. Assim as fábricas produzirão aceleradamente, gerando muitos empregos, mais dinheiro e elevando o número de compradores, num ciclo infinito. Mas nós somos mesmo tão inteligentes, poderosos, nada parece poder nos impedir. 

Apesar de toda nossa empáfia, existe um problema. O entrave deste esquema fabuloso está em nossa hospedeira. A Terra, que há séculos nos permite a reprodução através de doação de seus recursos, parece estar mudando de opnião sobre nós. E pior, ela está querendo nos eliminar, lançando as defesas de seu organismo contra nós.

E o pior. O processo está tão acelerado, que os efeitos serão sentidos já nas primeiras décadas deste século.

Acho que vou passar a estocar protetor solar. 

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Para saber como ajudar a amenizar os problemas climáticos, clique aqui

Para alguns dados sobre a vingança do planeta contra nós, clique aqui.

Para a letra completa e a tradução da música do Midnight Oil,  clique aquiaqui.

 

Tintim na África talvez tenha sido a revista em quadrinhos que mais li na minha vida. Era a única do personagem que eu tinha, por isto lia e relia sem cessar. Nela Tintim, um repórter belga, viajava para o Congo na compania de seu cão Milu. Lá eles desbaratavam uma quadrilha de contrabandistas de diamantes liderada por ninguém menos do que Al Capone.

Nesta aventura Tintim se tornou feiticeiro de uma tribo africana, quase foi devorado por crocodilos, explodiu um rinoceronte com dinamite, entre outras peripécias politicamente incorretas atualmente, mas que chegaram às mãos de um menininho que acabara de aprender a ler.

 

Além de Tintim, gostava muito do Tarzan. Eu adorava seu grito no seriado, vivia repetindo dentro de casa. Outro dos meus heróis preferidos era o Fantasma, um justiceiro inglês que vivia na selva, salvando os  nativos sempre que precisavam.

Assim foi moldada minha visão de África. Selva, animais perigosos, tribos primitivas cujos membros necessitavam da ajuda de homens brancos para resolver seus problemas. Esta visão era corroborada pelas produções hollywoodianas, sempre enfocando o continente desta forma.

De uns tempos para cá as coisas mudaram. A consciência ecológica dificilmente permitiria um rinoceronte explodindo em um gibi. Além disto, estes heróis criados antes da descolonização afro-asiática (décadas de 1950 e 60) não fazem o menor sentido nos dias atuais. A África atual não comporta este tipo de heroísmo colonialista. A África atual é urgência em estado puro.

 

No filme Diamantes de Sangue, dirigido por Edward Zick (de O Último Samurai) as dificuldades do continente africano ficam patentes. Contrabando de diamantes, Violência, corrupção, doenças, rapto de crianças, guerra e fome.

A total inviabilidade da construção de nações em território tão instável política e financeiramente se conjuga ao pessimismo de Danny Archer(Leonardo DiCaprio em atuação facilmente oscarizável). Ele é um contrabandista de diamantes que não vê soluções para a África. Diferentemente dos heróis de outrora, Archer só pensa em se dar bem. Encontrar um diamante raro e dar o fora o mais rápido possível do continente.

Este pessimismo é equilibrado pelo otimismo da repórter vivida por Jennifer Connelly e complementado pelo desepero de um pai que é separado de sua família pela guerrilha de Serra Leoa.

O filme faz coro com o Jardineiro Fiel, Hotel Ruanda e Syriana (este sobreo o Oriente Médio). A ajuda não vem, porque não interessa às potências que ela vá. Engolimos a seco quando o africano pergunta a jornalista: “Quando ficarem sabendo o que acontece aqui, o povo de seu país mandará ajuda, certo?” Ao que ela responde: “Provavelmente, não.”

This is Africa.

Em meio ao caos aéreo, companhias de aviação desorganizadas, milhares de vôos atrasados, eu consegui perder o vôo que me levaria à Goiânia.

Não houve compreensão (as companhias adoram pedir compreensão dos passageiros).  “Perdeu o vôo? Quer remarcar? Senhor, tem que pagar a taxa pela sua ausência e a diferença de tarifa, tudo bem?”

Nada como um aviação de primeira!!

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