Cinema


Encurralados pelo avanço irresistível da guerra relâmpago nazista, mais de 100 mil soldados — em sua maioria franceses e inglesas — improvisaram uma fuga desesperada da cidade de Dunquerque no norte da França. A situação era tão delicada que todo tipo de embarcação disponível — incluindo aí pequenos barcos de pesca — foi utilizada para levar os soldados aliados para a Grã-Bretanha. Logo após este episódio, Hitler dominou a França.

A retirada de Dunquerque é um dos panos de fundo do filme “Desejo e Reparação”, um dos favoritos ao Óscar deste ano. O filme é fantástico pela reconstrução histórica e pelo enredo da menina que comete uma enorme injustiça contra o namorado de sua irmã.

Não perca, mas leve um lenço. Na sessão em que eu estava foi um chororô danado.

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A vida é cheia de imprevistos e às vezes acontece de alguém ter um golpe de sorte, que, por um destes caprichos do destino, se transforma em azar. Em compensação o contrário também acontece e a tragédia pode virar fortuna.

Onde os fracos não tem vez — novo filme dos irmãos Cohen — é carregado desta dinâmica. Os destinos do cowboy que acha por acaso uma maleta com 2 milhões de dólares, do assassino contratado para recuperá-la e do policial que investiga o caso são completamente imprevisíveis desde o primeiro fotograma. A cada nova decisão tomada por eles, a sorte ou o azar se apresentam como num jogo de cara ou coroa.

Esta imprevisibilidade pode incomodar. Todos os personagens têm sua história contada até o fim, no entanto algumas soluções não-convencionais do enredo e o final em anti-clímax decepciona os que gostam de encerramentos triunfais. Adorei o filme, mas ouvi muita gente reclamando na saída.

De qualquer maneira a atuação de Javier Bardem — o mais novo latino queridinho de hollywood — vale o ingresso. O serial killer criado por ele é o mais amedrontador desde Hannibal Lecter.

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Al Gore foi vice-presidente dos EUA durante as duas adminstrações de Bill Clinton. Ficou marcado por ter perdido a conturbadíssima eleição para a Casa Branca em 2000 para George W. Bush, mesmo tendo mais votos que seu oponente. Além de político ele é um ferrenho ativista ecológico e  estrela o documentário “Uma verdade incoveniente”, sobre o aquecimento global.

O documentário é uma adaptação para a telona da palestra apresentada por Al Gore em várias cidades do mundo. Nela o ex-vice-presidente aprensenta dados contundentes acerca do efeito estufa e da nossa culpa pela emissão desordenada de gases na atmosfera. Em linguagem muito simples e acessível, as conseqüências nefastas do aquecimento global são relatadas e as possíveis soluções para a crise são sugeridas.

O filme também se presta a mostrar outros lados de seu apresentador, revelando, em meio à série de dados e fotos enfocando o clima na Terra, fatos de sua vida familiar e de sua trajetória política.

É um filme necessário. Deve-se ver, comentar e discutir exaustivamente com todos os que partilham esta casa, este nosso planeta.

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Tintim na África talvez tenha sido a revista em quadrinhos que mais li na minha vida. Era a única do personagem que eu tinha, por isto lia e relia sem cessar. Nela Tintim, um repórter belga, viajava para o Congo na compania de seu cão Milu. Lá eles desbaratavam uma quadrilha de contrabandistas de diamantes liderada por ninguém menos do que Al Capone.

Nesta aventura Tintim se tornou feiticeiro de uma tribo africana, quase foi devorado por crocodilos, explodiu um rinoceronte com dinamite, entre outras peripécias politicamente incorretas atualmente, mas que chegaram às mãos de um menininho que acabara de aprender a ler.

 

Além de Tintim, gostava muito do Tarzan. Eu adorava seu grito no seriado, vivia repetindo dentro de casa. Outro dos meus heróis preferidos era o Fantasma, um justiceiro inglês que vivia na selva, salvando os  nativos sempre que precisavam.

Assim foi moldada minha visão de África. Selva, animais perigosos, tribos primitivas cujos membros necessitavam da ajuda de homens brancos para resolver seus problemas. Esta visão era corroborada pelas produções hollywoodianas, sempre enfocando o continente desta forma.

De uns tempos para cá as coisas mudaram. A consciência ecológica dificilmente permitiria um rinoceronte explodindo em um gibi. Além disto, estes heróis criados antes da descolonização afro-asiática (décadas de 1950 e 60) não fazem o menor sentido nos dias atuais. A África atual não comporta este tipo de heroísmo colonialista. A África atual é urgência em estado puro.

 

No filme Diamantes de Sangue, dirigido por Edward Zick (de O Último Samurai) as dificuldades do continente africano ficam patentes. Contrabando de diamantes, Violência, corrupção, doenças, rapto de crianças, guerra e fome.

A total inviabilidade da construção de nações em território tão instável política e financeiramente se conjuga ao pessimismo de Danny Archer(Leonardo DiCaprio em atuação facilmente oscarizável). Ele é um contrabandista de diamantes que não vê soluções para a África. Diferentemente dos heróis de outrora, Archer só pensa em se dar bem. Encontrar um diamante raro e dar o fora o mais rápido possível do continente.

Este pessimismo é equilibrado pelo otimismo da repórter vivida por Jennifer Connelly e complementado pelo desepero de um pai que é separado de sua família pela guerrilha de Serra Leoa.

O filme faz coro com o Jardineiro Fiel, Hotel Ruanda e Syriana (este sobreo o Oriente Médio). A ajuda não vem, porque não interessa às potências que ela vá. Engolimos a seco quando o africano pergunta a jornalista: “Quando ficarem sabendo o que acontece aqui, o povo de seu país mandará ajuda, certo?” Ao que ela responde: “Provavelmente, não.”

This is Africa.

A máquina 

Férias. Hora de colocar em dia os filmes em que não consegui pôr os olhos em 2006. Para começar, A máquina, um dos filmes brasileiros de maior sucesso no ano.

O sucesso é justificado por dois elementos do filme. Em primeiríssimo lugar Paulo Autran. Quem já viu Autran em ação não se contenta mais com a mediocridade hollywoodiana. Paulo Autran é convincente e comovente. Em nenhum momento a história lhe escapa. É fantástico.

O outro fator de sucesso do filme é o texto. É todo formado na lógica própria do sertão nordestino e recheado de gírias criadas por lá. É lindo e  funciona como condutor ideal para o amor entre Karina e Antônio na cidadezinha de Nordestina, em Pernambuco.

Se você não viu A máquina e gosta de histórias de amor, viagens no tempo e máquinas da morte, não deixe de procurar na locadora.

Ah, tem um porém. Mariana Ximenes canta por um breve momento. Nesta hora, aperte o mudo sem medo de ser feliz. Seus ouvidos vão agradecer.

 

Meu primeiro filme foi Os Intocáveis. Claro que já tinha visto muitos outros antes deste. Mas foi o que marcou a minha passagem do cinema infanto-juvenil para filmes de maior fôlego. Até hoje quando passa uma reprise, não perco.

O diretor de Os intocáveis, Brian de Palma,  acaba de lançar Dália Negra. Ele é fissurado em filmes noir (filmes de suspense da década de 40 e 50), por isto dirigiu esta estória que passeia pelo gênero. Uma forma de homenagem. Eu, que sou fissurado na saga de Eliot Ness, entendo perfeitamente. No entanto não sei se Dália Negra agradará quem não está familiarizado com o clima dos filmes noir. É lento, com enredo confuso e cheio de personagens nem sempre necessários.

Mesmo assim não é dos piores. É bem melhor, por exemplo, que a homenagem de Peter Jackson a King Kong.

 Esta é a primeira cena do filme

Woody Allen é diretor de amores e ódios. Geralmente quem gosta, adora. Quem não gosta, odeia. Eu estou no primeiro grupo. Apesar disto, há tempos não via um filme do diretor. Mas meu reencontro com o judeu neurótico de Nova Iorque não poderia ter sido melhor.

Match Point – O ponto final é um filmaço por três motivos. Primeiro, porque Woody Allen escreveu o roteiro de maneira irretocável. Segundo, porque o enredo, cheio de reviravoltas, é conduzido magistralmente pelo diretor, não permitindo ao espectador descobrir o que vem a seguir. E finalmente porque faz pelo menos duas reflexões interessantes. Uma sobre a culpa e possibilidade de conviver tranqüilamente com ela. Outra sobre a sorte, evidenciada desde a primeira cena do filme (foto acima) pela frase “Prefiro ter sorte a ser bom”.

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_Para página oficial do filme, clique aqui (em inglês).

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