Agosto 2006


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Estou aborrecido com estas eleições. Quanta mentira, quanta omissão, quanta cara-de-pau de nossos políticos. Promessas mirabolantes, que não vão ser cumpridas. O passado apagado como se tivesse sido escrito a lápis. Erros, ninguém os cometeu, só os adversários.  Terrível.

Apesar disto, o que mais me deixa irritado é a mania de alguns jornais e revistas de achar que o povo não sabe votar. Na imprensa, espanto e indignação pelo fato de Lula ter 50% das intenções de voto. “Como pode? E o mensalão, esqueceram?”, perguntam nossos jornalistas. Quem respondeu, com suprema sinceridade, foi Wagner Tiso. Numa declaração desta semana, o compositor afirmou: “Não estou preocupado com a ética do PT. Acho que o PT fez um jogo que tem que fazer para governar o país”.

Você pode até pensar que isto é coisa só do Wagner, mas não é. Os artistas são o reflexo de seu povo, não o contrário. O povo brasileiro é antiético e gosta de uma corrupçãozinha. No estudo Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice?, feito pelo Ibope no início do ano, fica comprovada a nossa inclinação para burlar a lei.

Em sua primeira parte, a pesquisa perguntava se o entrevistado já tinha cometido alguma das transgressões abaixo para conseguir benefícios. 69% disseram sim!

As 13 irregularidades avaliadas

1. Quando tem oportunidade, tenta dar uma “caixinha” ou “gorjeta” para se livrar de uma multa
2. Sonega impostos
3. Recebe benefícios do governo, sabendo que não tem direito a eles
4. Adquire documentos falsos ou falsifica documentos para obter algum tipo de vantagem (exemplo: identidade, carteira de motorista, carteirinha de estudante, diploma etc)
5. Quando tem uma oportunidade, pede mais de um recibo por um mesmo procedimento médico para obter mais reembolso do plano de saúde
6. Compra produtos que copiam os originais de marcas famosas sabendo que são piratas ou falsificados
7. Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou “gato” de TV a cabo, ou seja, aproveita a instalação do vizinho
8. Quando tem uma oportunidade, faz ligação clandestina ou “gato” de água ou luz
9. Se tem chance, pega ou consome produtos em padarias, supermercados ou outros estabelecimentos comerciais sem pagar
10. Apresenta atestados médicos falsos no trabalho ou na escola
11. Se tem seguro de carro ou de qualquer outro tipo, quando tem uma oportunidade, frauda o seguro
12. Compra algo sabendo que é roubado
13. Falsifica atestado de saúde ou apresenta atestado de saúde falsificado para conseguir aposentadoria precoce

Na segunda parte, quando perguntados se cometeriam algum dos atos de corrupção política abaixo, 75% dos entrevistados responderam afirmativamente.

Os 13 atos de corrupção política analisados

1. Escolher familiares ou pessoas conhecidas para cargos de confiança
2. Mudar de partido em troca de dinheiro ou cargo/emprego para familiares/pessoas conhecidas
3. Contratar, sem licitação, empresas de familiares para prestação de serviços públicos
4. Pagar despesas pessoais não autorizadas (como compras no cartão de crédito ou combustível) com dinheiro público
5. Aproveitar viagens oficiais para lazer próprio e de familiares
6. Desviar recursos das áreas de saúde e educação para utilizar em outras áreas
7. Aceitar gratificações ou comissões para escolher uma empresa que prestará serviços ou venderá produtos ao governo
8. Usar “caixa 2” em campanhas eleitorais
9. Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para a campanha eleitoral do político
10. Superfaturar obras públicas e desviar o dinheiro para o patrimônio pessoal/familiar do político
11. Deputado ou Senador receber dinheiro de empresas privadas para fazer e/ou aprovar leis que as beneficiem
12. O político contratar “funcionários fantasmas”, ou seja, pessoas que recebem salários do poder público sem trabalhar e ele ficar com esse dinheiro
13. Trocar o voto a favor do governo por um cargo para familiar ou amigo

Um povo corrupto é representado por políticos corruptos. Os brasileiros sabem escolher.

E você, é corrupto?

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Günter Grass é famoso na Europa por suas obras que contestam as idéias nazistas. Nobel de literatura em 1999, o alemão causou surpresa no início deste mês quando declarou ter se alistado na waffen-SS germânica, durante a Segunda Guerra Mundial.

 A SS (Schutzstaffel) era o braço armado do partido de Hitler, responsável, entre outras coisas, do controle dos guetos e da guarda pessoal do führer. Os critérios de seleção de seus membros incluíam ter sangue ariano puro e fidelidade às idéias nazistas. Eram eles que lideravam o terror nos campos de concentração.

Apesar de toda sua biografia ligada à oposição ao nazismo, o escritor está sendo chamado a explicar esta passagem de sua adolescência. É possível que um ato cometido aos 15 anos seja mais importante que a história de uma vida?

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O nome da nossa terra deriva do vermelho intenso da resina proveniente da árvore  Caesalpinia echinata, vermelho cor-de-brasa, Brasil.

A extração do pau-brasil foi a primeira atividade econômica instalada na América Portuguesa, bem no início da colonização. Sua exploração foi arrendada a um grupo de comerciantes liderados pelo cristão-novo (judeu convertido ao cristianismo) Fernando de Noronha.

Utilizando-se da mão-de-obra indígena, conseguida através do escambo, este extrativismo vegetal predatório quase levou a espécie à extinção. Perigo este que persiste, pois a mata atlântica, habitat natural da árvore, está em franco processo de degradação.

Mauro, do Fi-lo porque qui-lo, tem uma teoria interessante sobre o Rock’n Roll. Segundo ele, o rock é feito muito mais de postura do que de música. Desta maneira, Raul Seixas e Bob Dylan, que musicalmente passeiam por outros estilos, são considerados roqueiros por causa de suas letras e de seu estilo de vida.

Este é o caso de Johnny Cash, um cantor country americano, cujo o início de sua carreira esteve ligado ao estouro do rock dos anos 50. Era contemporâneo de Jerry Lee Lewis e Elvis Presley e sua vida, como a destes outros cantores, foi totalmente sexo, drogas e Rock’n Roll.

É o que aparece no filme Johnny & June, retrato dos primeiros anos da carreira do artista, de sua mulher e do próprio rock. Fundamental em época de proliferação de  bandinhas “rebeldes sem causa” por aí.

Sempre vale a pena lembrar do que é feito o rock’n roll.

Eu sei que é difícil. Principalmente com as notícias de corrupção que surgem todos os dias. Parece que todos os deputados são iguais em sua ladroagem, mas não são. Existem ainda aqueles que são honestos, éticos e trabalhadores.

Então, como separar o joio do trigo? Um bom início é visitar o site Transparência Brasil. Lá você encontra, por estado ou por partido, a lista completa dos deputados que estão tentando a reeleição.

Fácil, fácil, se conhece qual o patrimônio declarado pelo parlamentar ao TRE, quantas sessões da câmara o sujeito foi e quantas faltas teve, quem patrocinou sua campanha, quanto usou de verbas de gabinete e que emendas fez. Além disto, é possível ler todas as menções de corrupção, envolvendo aquele político, que saíram na mída.

Descobre-se, por exemplo, que alguns dos deputados RJ declararam possuir R$0,00 de patrimônio. Tadinhos, tão pobrinhos.

Mãos à obra. Vote apenas naqueles que, pela fria exposição dos dados, se mostrarem honestos.

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Sempre gostei muito de comédias. Quando criança não perdia um filme de Steve Martin. Um espírito baixou em Mim, Antes só do que mal acompanhado, O panaca. Também adorava as aventuras do Inspetor Clouseau, encarnado na época por Peter Sellers.

Dia desses, chego na locadora e o que vejo? A pantera cor-de-rosa, protagonizado por Steve Martin. Um dos meus comediantes favoritos, na pele de um dos personagens que mais gosto. Foi uma alegria… e uma decepção. O filme é uma droga. Chato, com uma ou outra piadinha que valha a pena. Nada demais. Se tivesse pago a extorsão que é um ingresso de cinema hoje para ver esta porcaria, estaria revoltado.

Para me consolar do arrependimenteo de ter perdido tempo com A Pantera cor-de-rosa atual, peguei a série antiga e vi todinha. Que maravilha! Principalmente Um tiro no escuro e A Volta da pantera cor-de-rosa. E Peter Sellers é o que há de melhor. É engraçadíssimo.  Acabei obcecado pelo ator.

Foi fuçando para achar sua filmografia que o atendente da locadora me ofereceu A vida e a morte de Peter Sellers. Fiquei desconfiado, filme para televisão, biografia. “Sei não, deve ser outra bomba” – falei. Mas levei assim mesmo. Desta vez a surpresa foi para o bem. Que filmaço! O ator que faz o Peter Sellers, Geofrey Rush (ganhou o Oscar por Shine), faz também uns 20 personagens diferentes. Uma atuação magnífica. Isto sem falar na a história de Sellers, que é emocionante, contada através de um ótimo enredo. Vale a pena.

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Um colégio norte-americano de 1925.

A uniformização do comportamento era algo treinado com rigor nas escolas.

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