A respeito do texto de sexta-feira, um aluno me perguntou sobre a questão da nacionalidade para os kosovares. Ele não entendia o porquê da separação do país. Para brasileiros como nós, cuja identidade nacional tem menos de 150 anos, observar este balaio de gatos que é a Península Balcânica parece meio confuso. E é.

O grande problema da região onde está o novo país é a questão étnica. Kosovo tem população de maioria albanes. Aliás, a Albânia é vizinha e principal incentivadora do movimento emancipacionista. Kosovo surgiu da Sérvia, país que tem a mesma religião da Albânia, o cristianismo-ortodoxo. No entanto os sérvios são diferentes dos albaneses-kosovares por serem eslavos, como os russos. Aliás é esta origem comum de suas etnias que primeiro ligou sérvios e russos em um movimento chamado pan-eslavismo — a união de todos os povos eslavos para o engrandecimento.

 

Kosovo, que desde 1999 era dirigido pela ONU, declarou sua independência unilateral da Sérvia dia 18 do mês passado. A atitude não foi bem recebida pelo governo Sérvio, que declarou que nunca reconhecerá a independência kosovar, no que foi acompanhado da Rússia — antigo aliado dos Sérvios — e da China. Estes países temem que o sucesso do movimento em Kosovo incentive minorias de outros países — os chechenos na Rússia e os tibetanos na China — à independências unilaterais.

Em outro caminho, os EUA e boa parte da UE prestigiaram a criação do país, insuflando ainda mais os ânimos no conselho de segurança da ONU. O órgão está profundamente dividido sobre a questão.

Não custa nada lembrar que o tiro que iniciou a Primeira Guerra Mundial foi disparado por um estudande sérvio contra um imperador austríaco. O estudante era membro de um grupo terrorista que desajava a independência da Bósnia do Império Austro-Húngaro. A partir do disparo, os austríacos declararam guerra à Sérvia. O apoio russo aos sérvios foi decisivo para o início da guerra.

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