Já ouvi gente se queixando de que o carioca é o ser mais convencido que existe. Vive se exibindo por causa das belezas de sua cidade. Quem pensa assim ainda não conheceu um niteroiense. Este sim é o ser mais soberbo quando se trata de amar seu município.

Ser niteroiense é meio como fazer parte de uma irmandade, com costumes e práticas secretas. Todos aqui se conhecem, pois, como se sabe, Niterói tem três pessoas: eu, você e alguém que conhece nós dois. Niterói tem as praias mais lindas, as montanhas mais belas, o melhor pôr-do-sol — o de Itacoatiara — e é uma das cidades com melhor qualidade de vida do Brasil. De quebra ainda tem o MAC — Museu de Arte Contemporânea, o fantástico disco voador projetado por Niemeyer.

Você deve estar se perguntando o que me levou a este ufanismo. É que minha cidade virou estrela de novela. Tudo bem, não é nada demais, mas o nome da novela tem tudo haver com este lugar: Beleza Pura.

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Em um colégio de classe alta de minha cidade, uma aluna da 6ª série acusou um funcionário de 46 anos de ter mantido relações sexuais com ela.  O funcionário foi preso por estupro.

Como a vítima tem 13 anos, há presunção de violência (art. 224 do código penal). Mesmo que as relações tenha sido consensuais,  a menor não tem idade para decidir.  Sendo assim, o funcionário é qualificado como estuprador (art. 213) e deve ficar na cadeia por um bom tempo. Há também a responsabilidade da escola, já que os dois se conheceram e o crime foi praticado dentro das dependências do colégio.

Fiquei lembrando do livro de Vladimir Nabokov, Lolita. Nele, o professor Humbert Humbert se apaixona e vive um caso de amor com Dolores Haze — a Lolita, sua enteada de doze anos. Em meados da década de 1950, a pedofilia já era um escândalo. Tanto que o autor teve muitas dificuldades para lançar o livro.

Compreendo que a nossa sociedade tem um grau alto de liberdade sexual e meninas de 13 anos hoje, não são como as meninas de outras épocas. Afinal, até criancinhas estão por aí dançando o Créu — o funk sensação deste verão. No entanto não se pode perder de vista que criança é criança e adulto é adulto.

Se a acusação vier a se comprovar verdadeira, não há desculpa para o crime.

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Aqui em Niterói, a orientadora educacional do colégio MV1, Tereza Carmela Peixoto, acionou na justiça uma aluna por calúnia e difamação.  A aluna, que tem 9 anos, teria enviado um e-mail para a seção “fale conosco” do site do colégio, referindo-se a orientadora como “uma vagabunda”.

O colégio disse que não sabia de nada. Os pais juraram que a menina não sabe usar o e-mail. Duvido, já que as escolas ensinam a utilizar as ferramentas da internet desde a alfabetização.  Os pais disseram também que a menina é hiperativa, o que não tem nada haver com o caso.

A ofensa ocorreu no dia 20 de setembro. Em três meses os pais e o colégio não ficaram sabendo de nada disto?  A orientadora educacional ficou sofrendo em silêncio por todo este tempo? Sei não. Acho muito difícil.

A experiência me diz que uma coisa destas é rapidamente divulgada pelo rádio corredor de qualquer colégio. O que eu imagino ser mais provável é que a orientadora procurou o colégio e que os administradores tentaram colocar panos quentes. Daí, deu no que deu.

O enredo é sempre o mesmo. Os pais negam que seus filhos possam ter ofendido alguém. Os colégios, mesmo com provas contundentes das ofensas cometidas pelos alunos, omitem-se e  sutilmente sugerem uma deminssão,  caso o profissional procure a justiça.

Uma pessoa ofendida por outra pode procurar a justiça. Nada impede, nem mesmo a idade do ofensor. A atitude da orientadora educacional é legal e justa. A justiça determinará quem tem a razão. Se a menina enviou o e-mail, a justiça vai dizer como os pais devem pagar pelas atitudes de sua filha. Se a menina não mandou o e-mail, a professora vai ter que se retratar pela acusação injusta.

Parabéns à orientadora educacional Tereza pela coragem de procurar a justiça.

Será que ela vai ser demitida pela escola por procurar seus direitos?

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