Sempre adorei o realismo. Não sei exatamente o motivo desta minha predileção. Talvez seja por causa da valorização das pessoas como elas são, com suas limitações e incongruências, ou pela ironia com que os autores tratam as hipocrisias da sociedade da época. É exatamente esta ironia o fio condutor de “A relíquia” , obra de Eça de Queiroz — o maior dos realistas portugueses.

Um menino — Teodorico Raposo — depois de órfão, passa a viver sobe os cuidados de uma tia fanática religiosa e muito rica. Quando adulto, Teodorico cria um plano para se livrar do fervor católico da tia e viver tranqüilamente os prazeres da vida mundana, sem perder o acesso à riqueza. Ele planeja uma viagem ao oriente sob o falso pretexto de conhecer a Terra Santa. Desta viagem ele promete trazer uma relíquia sagrada como presente à sua tia, que patrocina a viagem.

Ano passado esta obra ganhou uma adaptação para os quadrinhos realizada por Marcatti. Para quem não sabe ou não lembra, Marcatti é o desenhista das capas do discos da banda Ratos do Porão e veterano da revista Chiclete com Banana. Ficou ótimo, pois a hipocrisia da sociedade da época tem tudo haver com o soturno traço do cartunista.

Eça de Queiroz está na moda mais de um século depois de sua morte. Em 2001, a Globo adaptou Os Maias para minissérie. Um ano depois, Gael Garcia Bernal encarnou “O Crime do Padre Amaro” no filme que chegou a concorrer ao Óscar de filme estrangeiro. Já em 2007, foi a vez de “O primo Basílio” ser adaptado para as telonas, se transformando em um dos filmes brasileiros mais vistos do ano.

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