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Cesare Lombroso foi um médico italiano pioneiro nos estudos de criminologia. Apesar de sua inegável importância no surgimento da ciência forense, sua fama se deve à criação dos tipos criminosos.

Ele acreditava que os foras-da-lei nasciam com uma predisposição ao crime. A partir da análise e medição de algumas partes do corpo, Lombroso afirmava ser possível prever qual tipo de crime aquela pessoa realizaria. Durante as décadas de 30 e 40, na Alemanha, os nazistas utilizaram as idéias de Lombroso para classificar os judeus e outras raças como inferiores e propensos ao crime.

Recebi com surpresa a notícia que cientistas do Rio Grande do Sul desejam fazer uma pesquisa com adolescentes da antiga Febem gaúcha. Estes cientistas desejam rastrear o cérebro dos adolescentes que tenham cometido crimes violentos, para procurar características que possam ser vinculadas à prática criminosa. A idéia é analisar a área cerebral que controla nossos impulsos. Para completar, outros cientistas querem colher amostras de DNA dos jovens com o mesmo objetivo.

É o mais puro preconceito. É claro que existem pessoas mais impulsivas que outras, mas ser impulsivo não é ser criminoso.Muito mais importante seria fazer este mesmo tipo de pesquisa a respeito das condições de vida que levaram estas pessoas a crimes violentos. Por que não fazer isto com os riquinhos da zona sul que agridem empregadas nos pontos de ônibus? Ou com corruptos em seus cada vez mais brancos colarinhos?

O estudo precisa de autorização da justiça. Tomara que ela não permita a utilização de nossos adolescentes como cobaias.

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