Todo verão é a mesma coisa, a dengue dá as caras e traz uma novidade. Já apresentou 3 tipos diferentes de vírus e a dengue hemorrágica. A novidade agora é a febre amarela, que, mesmo sem ser dengue, vem roubando a cena.

Nem sou tão velho assim, mas quando eu era criança não havia dengue. Oswaldo Cruz e Emílio Ribas, respectivamente no Rio e SP, procederam uma campanha de erradicação do mosquito que transmitia a febre amarela e a dengue, o aedes aegypti. O último caso da febre amarela urbana registrado é de 1942, no Acre — se bem que o Acre nesta época nem era tão urbano assim. A dengue durou um pouquinho mais, foi erradicada em 1950.

No ano de 1967, O aedes reapareceu no Pará. Em 1976, o mosquito surgiu em Salvador e um ano depois no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1980, ele passou a ser figurinha fácil no verão. Nunca mais nos deixou. 

Antes foi possível erradicar o aedes aegipty pois as cidades eram infinitamente mais simples. Não existiam grandes edifícios e condomínios e as poucas favelas eram bem menores. Era viável visitar casa por casa e acabar com os focos domésticos do mosquito. Além de ainda não existir consciência ecológica. Os mata-mosquitos simplesmente tascavam DDT em tudo. Morria o mosquito e todos os predadores dele também. O aedes aegypti foi erradicado à custa de milhares de pássaros e outros animais mortos e da intoxicação de pessoas. Há uma séria desconfiança de que este veneno está associado a certos casos de câncer.

Hoje tudo é mais difícil. As cidades são imensas, com diversos tipos de habitação. Imagine visitar casa por casa em uma favela do tamanho da Rocinha. Isto sem falar no problema da violência urbana — poucos estão dispostos a abrir a porta de casa para um estranho caçar mosquitos dentro dela. E não dá mais para sair fumegando tudo com veneno.

Atualmente, parte da solução seria contar com uma atitude firme e coordenada  dos governos federal, estadual e municipal, que, em vez de ficar neste jogo de empurra sobre quem tem a responsabilidade sobre o mosquito, poderiam combater seriamente as doenças. Eu sei que estou querendo demais, mas eles bem que poderiam deixar as disputas políticas de lado e tentar atuar seriamente neste problema.

Mesmo que isto acontecesse, não seria possível controlar os focos domésticos do mosquito. Para isto devemos contar com a consciência do cidadão. Cada um deve tentar eliminar os focos de mosquito que estão próximos de sua residência. No entanto, este negócio de consciência nem sempre dá certo. O povo acha mais fácil comprar um frasco de repelente, outro de Baigon e deixar a cidadania morrer de dengue.

Ou de febre amarela.

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