O papa Bento XVI é muito produtivo em criar polêmicas. Os muçulmanos se indignaram quando ele utilizou em um discurso, uma frase de um imperador bizantino que ligava a religião de Maomé à violência. Em outro discurso, em Auschwitz, atribuiu os crimes do nazismo contra os judeus a um grupo de criminosos, como se o povo alemão tivesse sido enganado por Hitler. Recentemente o papa  afirmou que o segundo casamento é uma praga do ambiente social. Este papa é do barulho.

Desta vez, Bento XVI se envolveu polêmica ao acompanhar a beatificação de 498 religiosos mortos durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) , realizada no Vaticano neste último domingo. A beatificação em massa, a maior já feita pela Igreja Católica, foi realizada dias antes da votação no congresso espanhol da Lei de Memória Histórica, que visa reabilitar e indenizar as vítimas da Guerra Civil e do governo de Franco. Um arcebispo espanhol já havia se pronunciado contra a lei e a beatifiação parece ser uma manobra política para evitar sua aprovação.

As duas ações, a beatificação e a votação da lei, reacenderam as discussões sobre as disputas entre os lados envolvidos na Guerra Civil Espanhola. Em 1936, após uma eleição acirrada a esquerda assumiu o governo da Espanha. A Igreja se opôs aos novos governantes, conclamando os católicos a uma revolução. Por causa da posição da Igreja, os esquerdistas perseguiram os católicos de maneira implacável: incendiaram mais de uma centena de igrejas e milhares de religiosos foram cruelmente executados.

Contra o governo republicano, formou-se uma coligação de forças chamada  “Movimento nacional”. O grupo, composto por monarquistas, católicos, membros do exército, fascistas e latifundiários, foi liderado pelo general Francisco Franco. Em 1939, contando com o apoio militar nazista, os nacionalistas venceram a guerra contra os republicanos e fundaram um estado fascista na Espanha.

Ao chegar ao poder o general Franco perseguiu de maneira igualmente implacável os republicanos. Nos primeiros anos de franquismo cerca de 50.000 esquerdistas foram fuzilados. As associações de vítimas da ditadura estimam em  2 milhões o número total de mortos pelo regime fascista espanhol. Franco governou a Espanha por 36 anos e sempre contou com total apoio da Igreja Católica.

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