O enredo é bem conhecido. Um crime bárbaro tira a vida de uma vítima inocente. Parentes revoltados. Governantes tentam justificar os votos que tiveram. A imprensa faz a festa: capitaliza, explora ao máximo o incidente. População assiste a tudo escandalizada.

Nestes momentos uma solução antiga é sempre posta à mesa: legislar. Tudo entrará nos eixos se tinta e papel forem gastos para escrever alguma nova regra para descumprirmos. A lei, só ela, é capaz de dar paz aos nossos corações. Mesmo sem ser aplicada.

É exatamente o que ocorre agora. Discute-se arduamente diminuição da maioridade penal, esquecendo-se que lei para valer tem que ser levada a sério. Os especialistas em segurança alertam que apenas uma pequena parte dos homicídios são solucionados e punidos. O problema então não é de legislação e sim de punição aos criminosos.

Pense bem, caro leitor. A menos que você seja um raríssmo espécime de cidadão exemplar, provavelmente deve cometer alguma pequena infração. Compra CD pirata, fura o sinal vermelho, excede o limite de velocidade, usa carterinha falsa para entrar no cinema, etc. As penas previstas em lei para estas infrações são terríveis. Multa pesada e até prisão. Como nunca ouvimos falar de ninguém punido por estas práticas, mantemos nossas contravenções cotidianas.

A ocasião faz o ladrão.

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