Tem vezes que me sinto a mais inocente das criaturas. Surpreendo-me ainda quando me deparo com a ineficiência e a incapacidade de lidar com as questões públicas por parte dos governantes. Sempre imaginei os governadores eleitos buscando os mais capacitados para ocupar as secretarias. Tudo bem que em Sucupira fosse diferente, mas nos estados e no governo federal esperava que valesse mais a competência, o conhecimento e a experiência do que o apadrinhamento político.

Um dia destes, estava vendo o telejornal da madrugada depois de um dia exastivo de trabalho. Apareceu o governador eleito do RJ, Sérgio Cabral. Na entrevista, ele se comprometeu a procurar os mais competentes profissionais e administradores para ocupar as secretarias. Segundo ele, o seu governo será diferente porque buscará atender aos contribuintes da melhor maneira possível.

Ao ver esta entrevista na TV, me perguntei: “Ué, mas não era assim?”. 

Segue o telejornal. O assunto agora é o caos nos aeroportos.  O dirigente do sindicato dos controladores de vôo informou que cada profissional só iria controlar 15 aviões por vez, pois este é o limite de segurança.

Perguntei de novo: “Ué, mas não era assim?”. 

Na sequüência uma matéria sobre presídios. Em Presidente Bernardes, o tal presídio de segurança máxima de São Paulo, os prisioneiros são isolados, têm que usar uniformes, têm direito apenas a um banho de sol por dia e as visitas são controladas.

Outra vez: “Ué, mas não era assim?”.

Resolvi desligar a televisão. Fui dormir. Talvez pudesse sonhar com o mundo ideal, onde nada disto fosse novidade.

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