Sou professor de um município a 45 Km do Rio de Janeiro. Lá existe  um certo ar interiorano nos costumes, herança do ambiente rural das vizinhanças. Às vezes me sinto como em Sucupira (se você não conhece a cidade das irmãs Cajazeiras, clique aqui).

Em Sucupira, os Odoricos nomeam à vontade para os cargos “de confiança”. A indicação geralmente é baseada na amizade de alguém influente. Conhecimento e experiência contam pouco. Democracia passa longe. Os indicados estão sempre dispostos à conter os subversivos. Conter a língua é fundamental, pois falar a verdade ou exigir direitos são atitudes que podem ser punidas. Exemplo disto é o que ocorreu na última quarta-feira.

O professor Oldair ensina matemática para alunos de 5ª a 8ª série em uma escola municipal de Sucupira. Na última quarta-feira, ao chegar ao colégio, o professor foi comunicado pela diretora da escola que seria transferido e que não poderia dar aulas. Oldair perguntou pelo documento de transferência. A indicada informou que não o possuía. O professor então, afirmando  que só sairia do colégio a partir da apresentação do documento de transferência, subiu para sua turma de 5ª série.

Meia hora depois, a diretora  foi a sala em que Oldair estava com três guardas municipais. Segundo o professor, ela pediu para que os alunos saíssem. Foi quando o professor saiu pelos corredores gritando que estava sendo vítima de injustiça. Os guardas o pegaram à força e retornaram para sala de aula, trancando a porta. Lá, O professor foi agredido e coagido. Saiu algemado pelos corredores do colégio.

O sindicato dos professores de Sucupira foi chamado e encaminhou o professor para a delegacia. Oldair fez queixa-crime contra a diretora por constrangimento ilegal e contra os guardas municipais por agressão.