Nunca fui de grandes sentimentos por pessoas famosas. Sei que pode parecer insensibilidade, mas, sinceramente, não me comovi com a maior parte das mortes de pessoas públicas que fizeram o Brasil chorar. Não que os falecimentos me alegrassem. Claro que não! No entanto, pouco me disseram a morte de Senna e dos Mamonas Assassinas, só para ficar nas duas maiores comoções nacionais recentes.  Quando o Cazuza morreu, um colega de escola ficou de luto por uma semana.  Eu achei aquilo esquisitíssimo. Como ele podia sofrer tanto por uma pessoa que nem sabia da existência dele?

Quando em 1996 Renato Russo morreu, eu compreendi os sentimentos do meu colega. Pela primeira vez senti a dor da perda de um ídolo. Não importa que ele não me conhecesse. Durante toda a minha adolescência me identifiquei com as músicas da Legião Urbana e com praticamente tudo o que o Renato cantava. Adorava, ficava horas pensando nos sentidos das letras. Coisa de adolescente, eu sei. Entretanto, de uma maneira ou de outra, a Legião  e suas músicas me ajudaram a formar quem eu sou hoje, meu gosto musical e como eu penso. A Legião Urbana não me conhecia, mas suas músicas faziam parte de mim.

Naquele 11 de outubro, eu estava no centro de Niterói (minha cidade) fazendo um lanchinho, quando um taxista vira e diz para a balconista da lanchonete: “Morreu aquele menino, daquelas músicas legais. Mais um que a Aids levou.” Ele nem disse que se tratava do Renato Russo, no entanto eu sabia. Tinha tempo que ele sumira da mídia. Não se ouvia falar da banda. Não tinha show, disco, nada. Eu já era crescidinho, mas o aperto no coração pela perda foi inevitável. Fiquei realmente triste. De luto.

_____________________________________

_para uma biografia de Renato Russo, clique aqui.

_para letras e cifras para violão da Legião Urbana, clique aqui.