Muros sempre foram usados pelos países com diversos fins. Defesa, separação, divisão, discriminação, ideologia, tudo já foi motivo de construção de uma muralha.

Da antigüidade, a muralha da China é o melhor exemplo de construção voltada para a defesa do território. Em 1948, os comunistas da Alemanha Oriental muraram a porção capitalista de Berlim na tentativa da evitar as constantes fugas de sua população. Mais recentemente, Israel levantou 650 km de muros na Cisjordânia para afastar os palestinos das áreas ocupadas por judeus.

Em todos estes casos um elemento em comum: o muro foi um fracasso. A Grande Muralha não impediu a derrota dos chineses para os mongóis liderados por Genghis Khan. O muro de Berlim foi destruído após a vitória total do capitalismo sobre o socialismo soviético. A muralha da Cisjordânia, eufemisticamente chamada pelos israelenses de barreira antiterrorista, não evitou os inúmeros atentados praticados pelos extremistas muçulmanos em seu território.

Apesar das lições da história, o congresso dos EUA aprovou, nesta última sexta-feira, a construção de uma muralha em mais de 1200 km de fronteira com o México. A idéia, que custará mais de 2 bilhões de doláres aos cofres do Tio Sam, é evitar a chegada dos milhares de imigrantes ilegais, que todos os anos tentam atravessar o deserto em busca do sonho americano.

O governo mexicano já se pronunciou negativamente ao projeto, no entanto pouco pode fazer. A decisão dos EUA, apesar de racista, é soberana e dificilmente poderá ser contestada internacionalmente. Além do fato de ser muito difícil reverter alguma atitude do governo Bush, mesmo contando com a condenação de vários países à construção.

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