Ontem, em decisão inédita no Brasil, 14 funcionários da FEBEM de São Paulo foram condenados por tortura, alguns recebendo penas recorde de 87 anos de prisão. Estes senteciados participavam de um grupo que organizava sessões de tortura nos complexos paulistas de Franco da Rocha e de Raposo Tavares.

Muito se falou sobre educação nestas eleições, mesmo assim o problema das crianças e adolescentes encarceirados nos centros de detenção para menores infratores passou sem nenhuma menção por nenhum dos candidatos. São meninos invisíveis presos em verdadeiras escolas do crime.

A situação em qualquer um destes centros de tortura de menores, em qualquer estado da federação, é a mesma. Os complexos são construídos com a mesma arquitetura dos presídios. Os menores infratores, ao chegarem aos complexos, não encontram nada. Não existe roupas para eles. A alimentação é pouca e de péssima qualidade. Não existe lugar para eles, a superlotação é a regra. Por fim os menores, na tentativa de sobreviver, acabam por se associar a uma das inúmeras facções criminosas que controlam estes lugares. O resultado do descaso é conhecido: rebeliões, conflitos, tentativas de fuga, mortes.

É neste momento em que aparecem os arautos do caos instalado defendendo a redução da menoridade penal. Já que não é possível cuidar dos menores, por que não transformá-los em adultos? Assim poderíamos encarceirá-los nas masmorras das prisões, sem o incoveniente da culpa por tratarmos crianças e adolescentes desta maneira. Poderíamos dizer, com o peito estufado,  “Bandido bom é bandido morto”, sem nos preocuparmos com as razões que levam um sujeito a optar por esta vida.

Pesquisar o que leva o menor à infração. Buscar soluções baseadas em estudos e não em achismos. Acabar com a violência nos centros de detenção. Criar medidas sócio-educativas. Enfim, tratar dignamente o ser humano é o caminho certo para a solução do prolema, mas dá trabalho e consome muito dinheiro. Na dura equação dos políticos e da mídia estas ações não geram resultados.  Além de não vender jornais, não garante votos. Por que se preocupar então?

Com a violência é diferente. O povo, que gosta de soluções simples e fáceis de entender,  fica satisfeito. Os jornais, que noticiam exaustivamente cada nova rebelião, vibram com o aumento das vendas. Os políticos,  que aproveitam momentos de crise para conseguir votos, se enchem de felicidade.

E nos centros de detenção tudo continua como antes. Afinal são meninos invisíveis.  

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