Uma aluna comentou comigo sobre uma matéria de jornal comparando o escândalo do dossiê do PT ao rumoroso caso Watergate, que levou Nixon à renúncia, em 1972.

Existem semelhanças entre os dois episódios. O dossiê, feito pelo partido de Lula com a intenção de vencer as eleições para o governo de São Paulo, se trata de um conjunto de provas contra José Serra, vinculando-o à máfia das ambulâncias.  Portanto é espionagem com objetivos eleitorais. 

Espiões também foram usados nas eleições presidenciais norte-americanas de 1972, quando a sede do partido Democrata foi grampeada a mando do então presidente Nixon. O azar foi a denúncia de roubo no prédio enquanto os agentes faziam o serviço, o que acarretou em sua prisão.

Contudo, uma diferença básica pode ser apontada entre o dossiê brasileiro e o caso estadunidense. Nos EUA, a ação foi comandada diretamente pelo gabinete do presidente da República, utilizando os recursos do país. Os espiões presos no edifíco Watergate eram agentes da CIA. No Brasil, o dossiê foi feito pelo PT com recursos próprios, sem participação, ao menos direta, da presidência da República.

Porém uma pergunta não quer calar: de onde veio o dinheiro, quase 2 milhões, usado pelo PT para o pagamento dos informantes do dossiê?

Só para lembrar, o partido reclamava de falta de recursos no ano passado.