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O nazismo foi derrotado na Segunda Guerra Mundial. O führer cometeu suicídio e o partido foi proibido, juntamente com suas idéias e seus símbolos. No entanto, apesar de toda esta preocupação em eliminar o nazismo no pós-guerra, a doutrina vem se fortalecendo como nunca.

Nas eleições regionais alemãs do último domingo, o neonazista Partido Nacional Democrata (NPD) conseguiu 7% dos votos para o parlamento de Mecklenburgo. Foi o segundo sucesso nazi nas eleições. Eles já tinham obtido 9% dos votos nas eleições de 2004 para o parlamento da Saxônia.

Apesar de relativamente pouco expressivo, são apenas 5 deputados, este pequeno êxito deixou os sociais-democratas de cabelos em pé. Afinal o estado de Mecklenburgo é o mais pobre de toda a Alemanha. Lá o desemprego e a insatisfação popular são maiores, porém as dificuldades para se conseguir trabalho estão em todos os lugares. Sendo assim, teorias xenófobas depositando a culpa das dificuldades da população alemã nos estrangeiros, sobretudo turcos e africanos, têm um campo fértil para florescer.

Foi exatamente assim que Hitler chegou ao poder. Após tentar um fracassado golpe de estado em 1923, os nazistas passaram a disputar as eleições. Inicialmente os resultados eram tímidos, mas depois da crise de 1929, com uma pregação racista contra os judeus, eles estouraram. Em 1930, elegeram 107 deputados para o parlamento alemão (eram 584 no total). Dois anos depois elevaram o número para 230 parlamentares, possibilitando ao partido exigir o cargo de chanceler para Adolf Hitler.

Entretanto há uma diferença entre um caso e outro. O 3º Reich nazista surgiu em meio a um cenário de miséria, causado pela derrota na Primeira Guerra Mundial. Atualmente, a Alemanha é a terceira economia mundial, com um PIB de quase 3 trilhões de doláres. Não há miséria, o país é o 20º no ranking do IDH (o Brasil é o 63º). O neonazismo é alimentado pela progressiva perda de qualidade de vida na Alemanha de hoje, sobretudo entre os indivíduos das classes mais baixas. Estes problemas, acreditam eles, são causados pela chegada sem controle de estrangeiros ao país.

No final da peça “A irresistível ascensão de Arturo Ui”, de 1941,  Bertold Bretch enviou um aviso às gerações futuras:

“E vós, aprendei que é necessário ver e não olhar para o céu; é necessário agir e não falar.
Esse monstro chegou quase a governar o mundo! Os povos se apagaram, mas não sejamos afoitos em cantar vitória: o ventre que o gerou ainda é fecundo”.

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