Professor. Eta classe para tomar pancada de tudo quanto é lado. Desta vez foi o autor  da novela das 8, Manoel Carlos, que resolveu bater na gente. Em Páginas da Vida, uma das personagens centrais, vivida por Regina Duarte, acusa a professora de discriminar sua filha por ser portadora da síndrome de Down.

A inclusão, definida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (artigos 58, 59 e 60), é fundamental. No texto da lei, o aluno portador de necessidades especiais deve ser preferencialmente integrado às turmas regulares. Caso não seja possível a integração, o aluno deve ser encaminhado a uma escola especial. Entretanto a lei não define a quem cabe esta avaliação sobre a integração ou não do aluno. Portanto se uma mãe enfiar na cachola que seu filho está sendo discriminado, não há um setor competente para dizer o contrário. Fatalmente o imbróglio vai parar nos tribunais.

Obviamente se trata de uma longa discussão É necessário levá-la para a telinha e debatê-la à exaustão. Porém o que me intriga realmente é o porquê do autor ter escolhido a professora como o vilã da história. Por que é ela quem discrimina, quando na realidade acontece outra coisa?

Os professores, mesmo com imensas lacunas no que diz respeito à formação para o trabalho com crianças com necessidades especiais, são os atores da inclusão e não da discriminação, como a novela supõe. Geralmente a discriminação, quando ocorre, parte no mais das vezes dos pais das outras crianças. Eles pressionam a escola e os professores, pois acreditam na possibilidade de algum prejuízo para seus filhos por conta da presença de uma criança com necessidades especiais na mesma classe.

O professor fica em meio a uma guerra. De um lado há a inclusão, um dever moral, humano, profissional e legal. De outro estão os pais que, ao menor deslize do profissional, não tardam em proceder suas reclamações junto à escola. Apesar de não fazer parte da disputa, advinha onde a bomba estoura? Isto mesmo, nas mãos do professor.

O educador se vê obrigado a se virar em mil, para dar conta do recado. Muitas vezes sem recursos pedagógicos, capacitação ou qualquer tipo de apoio. Só ele, o quadro negro e quarenta alunos. Quando são só quarenta, pois já vi turmas com 80 alunos. Só milagre!

A novela, ao culpar a professora pela discriminação, está refletindo a sociedade como um todo. Em vez de buscar uma solução real para o problema é conveniente e confortável colocar todo o peso da responsabilidade no elo mais fraco da corrente da educação: os professores.

E se a corrente quebrar?