O acontecimento que mais me tocou recentemente foi a morte de cinco adolescentes em um acidente ocorrido na Lagoa, aqui no Rio, na madrugada do dia 3. Após consumir 200 reais em bebidas em uma boate, os cinco amigos (dois rapazes e três moças) saíram com seu Honda Civic a mais de 100 por hora e capotaram 1800 metros depois, numa curva.

Penso no sentimento dos familiares, me imagino naquela situação, passando pela dor de todas aquelas estúpidas perdas. Não há como não se revoltar com a continuidade dos comportamentos que levaram à tragédia. O motorista e o outro habilitado a dirigir no carro estavam acime do limite previsto na lei.  Todo mundo ama alguém que bebe e dirige. Todos nós poderíamos estar ali, ao lado daqueles corpos.

Ontem, voltando de uma festa, pensava em uma manchete de O Globo da semana passada: “100% dos motoristas, após as 2:00 da manhã, estão bêbados”. A comprovação estava ao alcance dos olhos. Um carro passando em alta velocidade, um acidente de trânsito com um ferido jogado no chão, vários avanços de sinal, dois carros me fecharam, obrigado-me a frear bruscamente. Tudo isto num percurso de 15 minutos entre o local da festa e minha casa.

De quem é a responsabilidade? Dos pais, que permitiram a associação da imprudência típica da juventude, com álcool e um carro possante como aquele. Da boate, pois incentiva a beber quando cobra, como a casa em questão, consumação mínima de 50 mangos. Dos senhores legisladores, responsáveis por não acabar com a brecha jurídica que permite aos bebuns negarem a soprar os bafômetros. Do governo, pois não desenvolve políticas públicas intensas para resolver a maior causa de mortes e invalidez do país. Daqueles jovens, que beberam e dirigiram. De todos nós, pois hipocritamente nos horrorizamos com o cheiro da morte para logo depois voltarmos a  beber e dirigir, ou a sermos coniventes com motoristas alcoolizados.

Na verdade, concordo em gênero, número e grau com o Roberto DaMatta“Se tratássemos os nossos comtemporâneos na rua como tratamos os nossos filhos e netos, em casa, o Brasil seria melhor do que todas as Suíças, Suécias e Noruegas do planeta! (…) Quando é que vamos transformar nossas cidades em casas?” 

Trânsito no Brasil:

42.000 mortos em acidentes de trânsito por ano.

44% destes entre 20 e 30 anos.

82% do sexo masculino.

12% é a chance de sobreviver a um acidente se seu carro tem airbag.

723 acidentes por dia nas estradas.

35 mortos por dia nas estradas.

417 feridos por dia nas estradas, dos quais 30 morrem em decorrência do acidente.

Comparações:

 – É 10 vezes mais provável morrer andando de carro do que de ônibus.

 – É 20 vezes mais provável morrer andando de carro do que de trem.

 – É 20 vezes mais provável morrer andando de moto do que de carro.

Advertisements