Aconteceu de novo. Ontem, um jovem armado entrou na escola Dawson, em Montreal – Canadá, disparando a esmo. Matou uma mulher, feriu outras 19 pessoas e depois se suicidou. Que levou o rapaz a tal atitude? Como sempre, são muitas as hipóteses: indiferença dos colegas, dificuldades com o sexo oposto, humilhações cotidianas impostas a quem não se adapta, tédio, falta de educação familiar, desapego dos valores humanitários, problemas psiquiátricos, etc. etc. . Enfim, tudo pode ser motivo.

Buscar estes motivos é uma tarefa penosa. Funciona como na famosa história dos cegos com o elefante. Ao tocar uma parte do animal não se pode ter a idéia do conjunto. Para compreender o problema, mais do procurar motivações, é essencial uma visão mais abrangente e profunda da juventude atual.

O olhar do diretor Gus Van Sant em Elefante é exatamente este. O roteiro foi baseado nos acontecimentos da Columbine High School, onde, em 1999, dois jovens fortemente armados atacaram e mataram 12 estudantes, feriram outros 24  e cometeram suicídio. O dia-a-dia dos envolvidos, atiradores e vítimas, é revelado na tela, sem nenhum tipo de jugalmento. Todo a história, das motivações à preparação e realização do atentado, está lá.

Não é um filme agradável. É muito perturbador, mas necessário.