Pela história tradicional, na volta de uma viagem a São Pauo, a comitiva de D. Pedro I teria sido alcançada pelo serviço de correio da corte na tarde do dia 7 de setembro, às margens do riacho do Ipiranga. A carta, urgente, dizia que o parlamento português – as Cortes de Lisboa –, reunido após a Revolução do Porto, exigia a demissão dos ministros do príncipe e faria uma devassa em todos os seus atos. Após a leitura da mensagem D. Pedro, revoltado com a atitude recolonizadora de Portugal, desembanhou a espada e sentado em seu cavalo, disse:

“Laços fora, soldados. Viva a independência, a liberdade e a separação do Brasil. INDEPENDÊNCIA OU MORTE!”

Tudo muito bonito, tudo muito legal. Mas se você já deixou de acreditar em Papai Noel, não pode acreditar nesta versão também.

Para começar, nosso glorioso libertador estaria com uma bela dor-de-barriga. Motivo da parada “estratégica” às margens do rio Ipiranga. Esta informação é confirmada através do diário do padre Belchior, amigo e confessor de D. Pedro. Dizia ele: “o príncipe era obrigado a, o tempo todo, apear-se para prover”.

Além disto, uma interpretação mais moderna sobre o 7 de setembro informa que o famoso Grito da Independência não aconteceu. A parada para d. Pedro se aliviar teria ocorrido, a entrega da carta também. Realmente o príncipe teria dito para a tropa arrancar os laços que representavam o Reino Unido de Portugal e Brasil. Mas grito no cavalinho, com espada em riste, no alto da colina, com a atenção de toda a tropa, definitivamente, não aconteceu. Não passa de ficção.

Aliás, a imagem imortalizada no quadro de Pedro Américo e gravada na mente de todos os brasileiros, além de ser ficcional, não passa de um evento menor no processo de independência do Brasil. Com grito ou sem grito, a libertação não aconteceu ali. Antes, o Brasil já tinha uma constituinte convocada, que seria resposável pela criação uma lei independente da portuguesa. A criação de uma constituição é marco do nascimento de qualquer país.

Entretanto, como nada é por acaso, o fato de lembrarmos do 7 de setembro como o dia da nossa independência só pode ter atendido ao interesse de alguém.

Sobre este assunto escreverei amanhã.