A ideologia de um grupo tem muito haver com os interesses que ele representa. Desta maneira, o PSDB, partido social-democrata no nome, praticava uma política econômica neo-liberal quando estava no poder. Hoje, o Partido dos Trabalhadores, de origem socialista, faz a mesma coisa. Acontece que o governo, seja ele qual for, estará nas mãos dos banqueiros, pois são eles que patrocinam as eleições. Sendo assim, os juros continuarão altos e os lucros dos bancos também.

No nosso processo de independência existiu também este tipo de fisiologismo. Em 1820 explodiu um movimento em Portugal, a Revolução Liberal do Porto. A rebelião, levada a cabo sobretudo por comerciantes, desejava implantar um governo liberal, com a criação de uma constituição que limitasse os poderes absolutistas do rei D. João VI. Tudo de acordo com as idéias do liberalismo, ideologia cada vez mais forte na Europa desde a Revolução Francesa.

O movimento do Porto era liberal para Portugal. Em relação ao Brasil se colocava de maneira bem diferente. Como os comerciantes portugueses tinham perdido muito com a abertura dos portos de 1808 e com os tratados feitos com a Inglaterra em 1810, eles queriam a recolonização do Brasil. Exigiam a volta de D. João VI – que obedeceu prontamente e regressou a Portugal em 1821 – e o fim de todas as medidas favoráveis à ex-colônia.

Mas não foi só o movimento do Porto que tinha duas caras: liberal lá, conservador aqui. Veja a situação de D. Pedro, o príncipe português era obviamente conservador e contrário ao liberalismo da Revolução do Porto. Mas liderou o movimento de independência do Brasil, que se fortaleceu a partir das tentativas recolonizadoras dos portugueses. D. Pedro I garantiu seu poder por aqui. Afinal, é melhor um pássaro na mão do que dois voando.

Se você está se perguntando: “E a luta pela liberdade, o amor pela pátria, onde fica isto tudo? E a ideologia?”

Não se engane, no poder a ideologia só tem vez se for conveniente, senão, é jogada no lixo.