Esta semana tive um momento de nostalgia. Junto com alguns alunos, estava lembrando como foi minha primeira aula como professor.

Corria o ano de 1994. A mãe da namorada de meu irmão era uma professora de história muito conhecida na cidade. Fui apresentado à professora Frida, que queria fazer um teste comigo antes de me oferecer alguma vaga.

O teste aconteceria no sábado, numa aula extra de um pré-vestibular. Na sexta-feira, ela me instruiu assim:

“Você prepara uma aulinha sobre aquele contexto do início do século XX.  Primeira Guerra, Crise de 1929, Segunda Guerra. Você sabe…”

E eu: “Sei, sei. Claro.”

Sabia nada.  Estava no 5º período da faculdade, não tinha estudado nada disto ainda. No segundo grau fiz o curso técnico em contabilidade, não tive História. Portanto, meus conhecimentos sobre a primeira metade do século XX eram próximos de zero.

Mas como disse Graciliano Ramos, “o sapo pula não por boniteza, mas por precisão”. Tinha que conseguir a vaga. Peguei uns livros em casa, Frida me emprestou outros e lá fui eu preparar a aula.

Primeira Guerra, causas, desenvolvimento…“Até que é fácil”.  Crise do capitalismo… “Ahnn, então quer dizer que a Crise tem relação com a Primeira Guerra? Caramba, tá ficando tarde, não posso perder tempo”.  Fascismo, Nazismo, “ih, não é que são parecidos… xiii, três da manhã, a aula é às 10”.  Segunda Guerra Mundial, “ué, cadê as causas disto… será que são as mesmas da Primeira Guerra?  Meu Deus do céu, amanheceu, não vou conseguir…”

Já era umas 6 da manhã quando terminei. Mas não estava com o assunto na ponta da língua. Era muita coisa, tinha que estudar mais. Lia e relia, compulsivamente. Quando bateu 8 horas, exaurido, não conseguia entender nem aprender mais nada. Desesperei. Chorava copiosamente. Não podia perder uma chance destas.

Mesmo assim lá fui eu. Bati na porta de Frida para mostrar o que tinha feito.

“Olha só Frida, queria que ficasse melhor, mas…”

“Mas está ótimo. Tem até coisa demais. Não dá para tratar de tudo em uma aula. Na verdade eu queria que você escolhesse um tema.”

UFA! Ela tirou uma tonelada de minhas costas. Que beleza, não ia precisar tratar de tudo. Seria só a Primeira Guerra, que era o que eu melhor sabia. Assim, peguei o ônibus e fui para o tal pré-vestibular dar a primeira aula de minha vida.

Para os alunos não deve ter sido grande coisa. Afinal eles estavam acostumados com uma professora bem mais experiente. Mas para mim foi a primeira vez.

E a primeira a gente nunca esquece.