Na semana passada, o PCC conseguiu fazer com que suas reivindicações chegassem à TV. Se valendo de uma tática terrorista – o sequestro do repórter Guilherme Portanova, o grupo criminoso impôs a transmissão pela Rede Globo de uma gravação feita por um de seus integrantes.

O comunicado é essencialmente em oposição ao RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). A partir da inaguração da penitenciária de Presidente Bernardes, este sistema foi criado visando isolar os líderes das organizações criminosas. No dizer de Fernandinho Beira-Mar, que passou pelo regime, “o RDD é um inferno”.

O terror que hoje paira sobre São Paulo foi gestado nas masmorras em que se tornaram as cadeias brasileiras. Diante do caos que tomou conta do sistema penitenciário, o Primeiro Comando da Capital passou a ser tratado pelos detentos paulistas como a tábua de salvação.

No documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro, realizado meses antes da implosão do Carandiru, vários prisioneiros filmam e falam sobre sua terrível situação. São muitos os relatos de violência, solidão e descaso por parte das autoridades.

Um depoimento registrado no filme é fundamental para compreender a força desta facção criminosa. O prisioneiro, pastor da Assembléia de Deus da cadeia, faz enormes elogios à criação do PCC. Diz ele para a câmera: “antes havia estupros e mortes, era uma confusão. Depois que o PCC chegou, tudo acabou. Está muito melhor agora.”

Em terra de cego, quem tem um olho é rei.