Em 1954,  enquanto o Brasil passava pela instabilidade política gerada pelo suicídio de Getúlio Vargas, o Paraguai entrava numa das maiores e mais sanguinárias ditaduras da América Latina.

Alfredo Stroessner ficou no poder por 35 anos. Constituiu relações com todos os outros ditadores latino-americanos  – menos Fidel, é claro. Destas relações surgiu, na década de 1970, a temida Operação Condor, cujo objetivo era acabar com todas as lideranças de esquerda nos países sulamericanos. Esta operação foi responsável pela morte ou desaparecimento de 80.000 pessoas, além da prisão de outras 400.000.

O ditador paraguaio também tem no currículo ligações com ex-nazistas. Joseph Mengele, o anjo da morte de Auschwitz, foi recebido no Paraguai como asilado político. Da mesma maneira foi recebido o ex-ditador nicaragüense Anastásio Somoza.

Em 1989, depois de deposto, Stroessner foi asilado no Brasil. Era perseguido pela polícia paraguaia, principalmente depois de descobertos os Arquivos do Terror, uma extensa documentação sobre a Operação Condor. Estes arquivos são as principais provas contra ditadores como o chileno Pinochet, Videla da Argentina e o general Paraguaio.

Alfredo Stroessner nunca mais voltou ao Paraguai. Morreu ontem no Brasil. Será enterrado em seu país natal sem honras de chefe de estado pois, como fugitivo da polícia, perdeu o direito.