Durante o segundo grau, por imposição materna, fiz o curso técnico de contabilidade. Ela dizia que o importante era ter uma profissão, depois eu escolheria ser iria ou não continuar na carreira. Tinha facilidade com números, então lá fui eu.

Era fácil. A turma era terrível, salvavam-se poucos, eu sobressaía com pouco esforço. Tirava 10 em praticamente todas as matérias, ganhei até medalhinha de melhor aluno. Mas não queria nada daquilo para minha vida. Não suporto trabalho de escritório. Principalmente trabalho repetitivo. Precisava de algo mais dinâmico, com menos rotina, cada dia em um lugar, lidando com coisas diferentes e com pessoas diferentes.

Época de vestibular, muitas dúvidas, mas muitas descobertas também. Incialmente pensava em prestar o exame para psicologia. Tinha um tio psicólogo, achava interessante as percepções que ele tinha das pessoas. O conhecimento da mente sempre me fascinou. No entanto,  naquela época a História estava viva demais para passar desapercebida.

Fiz o vestibular numa período sensacional: queda do muro de Berlim, esfacelamento da União Soviética, Guerra do Golfo, Impeachment do Collor. Todos os eventos eram exaustivamente discutidos por mim e meus amigos. Éramos apaixonados pela história. Não havia como não ser. Por isto, secretamente, ao fazer minha inscrição para UERJ, coloquei como opção de carreira: História. Era o que eu queria.

Para as outras duas universidades, UFRJ e UFF, coloquei psicologia. Afinal a pressão familiar não era fácil. Mama não queria mais um professor na família. Não só ela. Lembro até hoje, depois de ter falado que iria fazer vestibular para História, um tio me disse: “Isto é bobagem, tem que fazer algo que dê dinheiro. Vai ser o quê, professor? Você deve estar brincando!”

E lá fui eu fazer o vestibular. Bombei na UFRJ. As provas são discursivas, não tinha base. No curso de contabilidade não tinha física, química, biologia, geografia, literatura, geometria. Perdi. Fui melhor na UFF, passei para a segunda fase, com chances de entrar. Mas na prova final, tive uma faringite. Fui fazer a prova com 40 graus de febre. Perdi também. No vestibular da UERJ fui bem na primeira fase. Na prova da segunda fase, quase não acordei (e viva à buzina do caro do seu Edmo, pai do Mauro). Fiz uma boa prova e passei.

About these ads